sábado, novembro 11, 2017

As lagartas nos casulos movendo-se

Muita coisa se passou desde Agosto último, quando escrevi aqui no blogue. Não escrevi, publiquei uma música, mas é como se tivesse escrito. Lembro-me de o fazer, era Agosto e era tarde, agora é Novembro e ainda é cedo mas para certas coisas já se vai fazendo tarde.

Para quem anda a escutar as entranhas do mundo, é possível que se tenha apercebido que ele está a mudar e quando alguém ou alguma coisa muda é mais do que natural que essa mudança chegue acompanhada de convulsões. Podem ser convulsões metafóricas, algo a que temos assistido a ocorrer no mundo há algum tempo - possivelmente, culminou na declaração unilateral de independência da Catalunha.

Parece que os modelos em que nos movemos há muito tempo já não servem, as pessoas querem sair do casulo em que, voluntária ou involuntariamente, se encontram. É um casulo feito de ideias antigas, de sentimentos de aceitação e de conforto - já não é isso que as pessoas procuram, os modelos antigos já não nos servem.

Nestes últimos meses em que não escrevi absolutamente nada e em que poucas ideias tive (até dos livro tenho andado arredada), tenho sentido essa lagarta a mover-se nas entranhas. Nas minhas e nas do mundo, que ele também as tem. Sei bem que a mudança não se pensa ou se sente, provoca-se, faz-se - sei bem - mas sinto-a a preparar-se para uma nova pele, só isso. É uma nova pele que aí vem, que não se resolve com empréstimos para comprar casa a 50 anos ou com leasings para carros novos ou com empregos aborrecidos. 

Vamos sentido a lagarta mexer até nos mexermos com ela, como quando pegávamos nos casulos dessas lagartas verdes e elas se moviam lá dentro, aflitas por pensarem que as queríamos esmagar quando só queríamos sentia-las mover.

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