quarta-feira, março 18, 2015

Não sou popular mas não quero matar esta publicação à nascença

Vivian Maier, Sem título (1959) 
© Vivian Maier/Colecção Maloof, courtesia da Galeria Howard Gallery

Não sou popular desde praticamente tenra idade, nunca fui, do mesmo modo que nunca tinha tornado o blogue tão pessoal como agora. Os momentos mais constrangedores ou gloriosos continuam a ser meus ou, pelo menos, uma visão deles mas aqui tenho escrito mais sobre mim, sobre a pessoa que acredito ser eu.

Neste momento, deveria ou poderia (se soubesse como fazê-lo) estar a escrever uma entrada aqui no blogue sobre um tema que estivesse na moda ou sobre algo fresco e inédito, dito de uma forma completamente nova. No entanto, sou aquela rapariga que nunca foi popular e que se pode dar ao luxo de escrever que nunca foi popular nem acalentar a esperança de ter aqui um post que irá ser partilhado em torno do globo.
Não tenho expectativas, faço praticamente tudo só porque gosto (como, certamente, as outras pessoas farão e assim espero que seja) e, por isso, quando tento ser popular consigo, no máximo, arrancar amarelos sorrisos ou aquele olhar que me é tão familiar, o da incompreensão. 

Lembro-me depois de personagens como a Little Eddie ou a Vivian Maier, que não são propriamente personagens mas pessoas que carregam em si talentos ou esperanças em grande parte ocultadas. Little Eddie por nunca ter saído da vida que tanto detestava e por se ter perdido pelas vielas dos delírios mais bipolarizantes mas cujo desejo era tão forte que fazia reviver todos os sonhos como se fossem mesmo tornar-se realidade. A Vivian por se ter refugiado na sua própria reserva em relação ao mundo, desaparecendo sem nunca dar a conhecer ao mundo o seu enorme talento em fotografia e um espólio enorme de peças deslumbrantes - famosa apenas postumamente.

Não sou delirante como a Little Eddie e não tenho o talento da Vivian mas acalento alguns sonhos e esperanças, com a diferença que mais tarde ninguém vai encontrar o meu espólio fotográfico ou fazer um documentário sobre a decadência do ocaso da minha vida - pelo menos.

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