domingo, novembro 09, 2014

Estardalhaço

Eu cá sempre fui educada em minha casa, apesar de não serem regras bacocas mas verdadeiros princípios de vida. Não era só aquela coisa parva de não falar com a boca cheia ou lavar as mãos antes de irmos comer, era o princípio de que devemos manter certa dignidade e honestidade. Hoje, falar em honestidade dá sempre aquela vontade de rir um pedaço mas a verdade é que fui orientada para isso e para saber estar num sítio. Não, não comíamos com muitos talheres nem nada disso mas sei que consigo estar em qualquer lado a conversar com as pessoas com quem estou e não a falar para toda a gente ouvir. Sim porque nós temos um interlocutor, no máximo uns quantos, muitos se formos verdadeiramente oradores públicos. Quando se está num grupo restrito a falar como oradores públicos, talvez se tenha de resolver algum problema de ego ou assim.

Não sinto necessidade que toda a gente me ouça numa conversa privada e hoje, enquanto esperava para ir ver um filme, mais uma vez a miudagem me expele do seu mundo. Começo a sentir‐me a anos‐ da malta que tem agora os seus 20 e poucos anos. Sabem muita coisa mas pouco digerem e quando o fazem é com o estardalhaço de quem não sabe estar, de quem não tem noção do ridículo e do quanto devemos preservar o direito à reserva. Hoje tudo é público, tudo é falável, tudo é partilhável com toda a gente, tudo é informação a circular, perde‐se a noção de privacidade, a noção da reserva.
Como bem sabem, aquilo que escrevo aqui sou eu a discorrer sobre estes temas, que ninguém se sinta ofendido ou atingido com estas generalidades ‐ que, como também tão bem sabem, têm sempre as suas excepções.

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