sábado, dezembro 11, 2010

O mercado de trabalho e o fundo para despedimentos

O Governo e as empresas acham mais fácil criar um fundo de apoio ao despedimento do que fomentar a criação de trabalhos dignos. Se é isto a flexibilização do mercado de trabalho, tenho as minhas dúvidas. A flexibilização leva a situações como aquela que estou a viver e o que importa realmente é a vida das pessoas no dia-a-dia. Despedi-me por minha própria conta e risco, há mais ou menos 6 meses. Enquanto consigo e não consigo levar avante as minhas ideias e vagueio um bocado entre elas (que são muitas), arranjei um part-time através de uma dessas famosas empresas de trabalho temporário.

E quais são as condições? Dois contratos de formação, um em sala e outro em contexto de trabalho real que perfazem 1 mês e meio. A formação é paga, a questão é como. As primeiras duas semanas são pagas no final do primeiro mês de contrato de trabalho (fim de Dezembro), o mês de formação on job teria sido pago no final de Novembro mas não foi. Em resumo, estou a trabalhar desde 15 de Outubro e quase a completar 2 meses de trabalho real (sim, todos nós estivemos a trabalhar a sério), ainda não recebi um cêntimo.

Portanto, acho que as pessoas que falam de flexibilização dos despedimentos e da criação de um fundo para ajudar as empresas a conseguirem despedir pessoas, deviam pensar num fundo para a criação de trabalho digno. E não estou a falar de uma qualquer abstracção, estou a falar da vida real. 

Nesta cadeia, tudo está contra quem trabalha porque se virmos com clareza a minha situação e das pessoas que comigo trabalham somos quem está a produzir e os únicos que não estão a receber por isso. E não é uma afronta trabalhar sem receber? Porque na prática estamos a fazer um favorzinho às empresas envolvidas, produzindo antecipadamente e recebendo 2 meses mais tarde.

A mim parece-me descabido falar de flexibilização do mercado de trabalho quando ele é tão limitado. Faria sentido facilitar os despedimentos se as pessoas logo a seguir conseguissem arranjar outro trabalho. O que é certo é isso não funciona assim. 

Portanto, não sendo das mais fervorosas defensoras dos direitos adquiridos, sou defensora dos direitos mínimos que garantam uma vida em que as pessoas não tenham de sobreviver todos os dias. Acho que podemos ambicionar um bocado mais e é um facto que a riqueza não está distribuída de maneira a garantir isso.

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