terça-feira, novembro 04, 2008

Mãos cheias de nada

Ontem fui ver Entre os Dedos. Ou parte dele. Entretanto, li algumas críticas. Apenas constato alguns pontos, por agora:

1. Gosto muito de cinema
2. Gosto muito de cinema português
3. Não me importo que um filme pareça ou seja chato (não pode é ser um suicídiozinho)

Daqui não se pode depreender que alguém como eu possa conseguir ver um filme que toda a gente aclama simplesmente por isso. E, de facto, só vi uma hora dele. Espantosamente, quando olhei para o relógio, parecia que tinham passado algumas 3 horas de película. Doíam-me as costas, sentia as dores. Fiz piadas de algumas cenas. Tive sono. Desejei muito que houvesse música. Quis muito que a câmara se movesse, ao fim de muitos segundos de suplício. Soube que perdi os segundos em que aparece a Eunice Muñoz - não que isso fosse importar muito.

Reparei que há muita gente que gostou do filme e que fala em construir e desconstruir - a única coisa que vi desconstruída foi o monte de terra que matou o gajo logo ao princípio. Parece que já não se pode dizer mal de um filme português porque podemos parecer derrotistas e tal - é o que se diz por aí. Consta que, em princípio, quem faz um filme supostamente bom (que eu não vi), faz um segundo filme bom. Não posso confirmar isso mas o segundo não é bom. E eu não queria dizer isto porque sei que os supostos cinéfilos do portugalinho ficariam ofendidos. Por isso, não digo. Ou será que digo?

Digo. Porque quando uma ideia está implícita e a forma é enfadonha, perde-se a ideia. Porque nenhum ser humano (ou poucos) tem paciência (e eu tinha dormido bem) para aguentar tanta fixidez de planos, diálogos tão inconsequentes e inúteis, a pompa do preto e branco, a realidade ultra-realista (quem não tem vontade de cortar os pulsos?), as personagens da vida real completamente planas - já não falo dos diálogos mas sim daquilo que os actores transmitem corporalmente.

Enfim, podia ficar aqui séculos mas não me apetece. Só tinha de tirar este peso de cima de mim, que depois de ver a Fernanda Lapa a chorar sobre sacos do Jumbo, dificilmente vou ser a mesma.

2 comentários:

FccNunes disse...

ahh, finalmente um filme português mau! Quem diria!? Eu não consigo ver cinema português actual (excepto, pois Claro, A.Q.M.A.), por isso tudo que tu escreveste: rigidez de planos (e longos longos longos!), diálogos que parece terem saído de um episódio menos mau de morangos com açúcar e até mesmo os actores não sabem fazer cinema. Não duvido que muitos sejam realmente bons actores de teatro (não sei, não gosto de teatro) mas eles tem de perceber que cinema é diferente! E muitos (senão a maioria) não conseguem perceber isso!
E mais, já ninguém vai ao Jumbo!

Isobel disse...

Filipão, neste não se aproveita mesmo nada :( os actores até gosto deles mas ninguém consegue fazer omeletes sem ovos, não é? looool uma vez que o argumento era terrível, tornava-se difícil interpretar um papel...
acho que o grande mal é mesmo...... o filme todoooooo! :D

Olha, olha, diz isso à malta de Setúbal, pá, que só há pouco tempo é que tiveram um Modelo eh, eh, eh!