sexta-feira, novembro 14, 2008

Jogos perigosos?

ExinstenZ. Qual é a nossa realidade? Qual é a realidade em que pensamos que nos movemos? Vivemos um jogo? Não existem respostas para estas perguntas e ficamos a pensar sobre o filme, em como é tão bom. A capacidade de Cronenberg em explorar o fantástico visual e o fantástico narrativo faz com que goste dele - não que ele se importe muito com isso, claro. Os efeitos visuais são à antiga, já na altura de estreia do filme eram obsoletos. Mas é esse aspecto que ele prefere explorar e recorrendo às técnicas mais tradicionais, consegue enojar-nos enormemente - houve uma parte de uma sequência que não conseguir ver sem fechar um pedacinho os olhos.


A ideia de entrar num jogo através de um cordão umbilical e uma consola feita de tecidos vivos não é nova mas o modo como é explorada a ideia, sim. Mais, a entrada é feita por uma bio-porta cravada na espinal medula. Nesse ponto, nota-se novamente a fixação de Cronenberg pela sexualidade. A bio-porta excita-se, a certo ponto, por exemplo, e em todas as ligações ao jogo existe sempre uma penetração - basta reparar que o orifício tem de ser lubrificado para permitir uma ligação sem dor. Para além destes elementos, outra fixação: a da existência de portais, brechas artificiais no nosso corpo que permitem melhorá-lo, em certa medida. Mas estas supostas melhorias não são conseguidas sem perdas porque o portal que liga os humanos a outro mundo é o mesmo que os faz recolher-se em si mesmos - este apontamento pode não ser visto como algo negativo, claro.

Armas que disparam dentes, répteis híbridos, comida repugnante, efeitos especiais alucinantes, banda-sonora de Howard Shore, uma lasciva deusa Alegra personificada pela eterna outcast Jennifer Jason Leigh, um Jude Law um bocado parolo mas interessante... a completa dúvida de onde começa e onde termina o filme. Sabem que mais? Estamos a jogar o jogo neste preciso momento.

4 comentários:

KameraManInBlack disse...

penso que foi último filme "pessoal" de david cronenberg... desde aí só tem aparecido como realizador em "encomendas"...
:(

Isobel disse...

Não vi o anterior ao Promessas Perigosas mas o Promessas é bastante medíocre... o mundo fantasista e simultaneamente fascinante de Cronenberg acho que se perdeu, como tu dizes..

cj disse...

Um dos melhores filmes do cinema "recente".

Isobel disse...

Sem dúvida... põe a cabeça a funcionar a mil à hora..