terça-feira, janeiro 16, 2018

David Byrne em Portugal

Para quem se interessa por música, falar dos Talking Heads é falar de um dos nomes mais incontornáveis da música do Séc. XX. Actualmente, David Byrne actua a solo (ou com artistas dos quais gosta profundamente, o que não acontece com muita frequência) e, para gáudio dos fãs portugueses, na lista de concertos da tour de 2018 está Portugal. Carreguem na imagem abaixo, dar-vos-á acesso à lista avançada pela Pitchfork.

Assim, David Byrne actuará no Cool Jazz Fest no dia 11 de Julho de 2018

Sapos e brumas

A gente só consegue sobreviver quando já não há mais nenhum refúgio, quando já tudo ardeu e o restolho cujo odor nos aconchegava quando orvalhado já foi soprado pelas nortadas.

A gente só consegue viver quando não tem nada, quando tudo aquilo que nos deixou confortáveis de repente desaparece debaixo dos nossos pés e ficamos a pairar em angústia e medo. Desaparecem os cheiros dos avós, as palavras boas, o quente das lareiras, o ronronar nos gatinhos, o coaxar das rãs nas noites quentes de Agosto (com letra grande porque os agostos eram enormes), os sapos de quem fugíamos porque os avós diziam que faziam xixi nos olhos e ficávamos cegos.

A gente só vive quando até os pequenos medos ridículos do xixi dos sapos desaparecem como conforto, porque eram um conforto, uma certeza quando a avó Idalina o dizia. E nós sabíamos que as pilhas de sal à porta de casa eram coisas místicas e a senhora que se dizia pentear o cabelo à lua e a lenda do corfadário eram medos distantes que nos faziam sentir seguros nas mantas. 

A gente só vive quando todos os confortos e todas as histórias de coelhinhos foram rasgadas, quando não temos a rede da infância, quando já não há mais férias da escola e o cheiro da terra molhada nunca mais tem aquele cheiro de infinito. 

A gente só vive quando já não se sente infinitos.

segunda-feira, janeiro 15, 2018

Manter a memória de Dolores

Tenho poucos ícones na minha mente mas a Dolores O'Riordan é um deles, talvez porque sempre me inspirou independência, originalidade e personalidade própria sem se deixar corromper pelas modas. Por isso, deixo aqui uma das grandes músicas dos Cranberries em homenagem a uma das mais marcantes mulheres do mundo da música.

Mentiras que são verdades absolutas

Ser-se humano é ser-se inacabado e em constante procura de melhorar, de construir, de perceber - é essa a minha definição de humano quando penso no que cá andamos a fazer. Muitas vezes, estamos a falar com palavras que não são nossas, acontece muito agora, penso que por causa das redes sociais. Falamos sobre sucesso mas não é no nosso conceito que pensamos; falamos de felicidade mas não é do que nos faz felizes; falamos de ser-se guerreiro mas na realidade às vezes só queremos mesmo desistir (e desistir, muitas vezes, só quer dizer parar um pouco para respirar). 

No fundo, adoptamos conceitos porque ouvimos as palavras muitas vezes, repetidas até à exaustão, talvez para nos fazerem acreditar mesmo em coisas que não são necessariamente nossas. Daí até considerarmos as pessoas com depressão como fracas, por exemplo, pode ser só um passo; ou alguém que desiste de alguma coisa não ser guerreiro o suficiente mais outro passo. 

Hoje todos somos coaches, falamos de approaches, fazemos workshops, somos holísticos mas, na realidade, quantos de nós sabemos realmente aquilo que somos? Ou quantos de nós está tão em contacto consigo próprio que sabe realmente aquilo que está a dizer? E aquilo que diz está de facto a ir ao encontro daquilo que sente? Há um hiato muito grande entre aquilo de que nos queremos convencer e aquilo que sentimos mesmo, em muitos casos. Provavelmente, das poucas pessoas que lêem estas linhas, algumas pensarão mesmo que estão plenamente em sintonia consigo. É possível que estejam mas também é possível que um dia se ouçam falar com alguém e percebam que não têm feito senão dizer mentiras nas quais acreditam piamente.

Coincidências reconfortantes

Há muito tempo que partilho aqui algumas das minhas maiores preocupações, apesar de muito filtradas. Quase todas elas se resumem numa só: falta de um caminho escolhido para caminhar. Ultimamente, contudo, tenho recebido algumas mensagens subliminares - não, não estou a falar de hate ou fan mail -, que é algo que pode ou não estar apenas nas nossas cabeças.

Sempre me considerei uma pessoa muito racional e, dadas as circunstâncias e os estudos, a ciência só veio consolidar ainda mais essa visão. Gosto de chegar a conclusões através do estudo das variáveis, juntar um mais um e obter resultados precisos (pelo menos na maior parte dos dias, outros existem em que nada disso tem validade e acabo por deitar tudo pela janela).

No entanto, um conjunto de coincidências nos últimos tempos fizeram-me pensar no que é que significa ver pela primeira vez uma frase, uma imagem, uma ideia em sítios onde passamos todos os dias. Porque é que naquele preciso dia em que a nossa cabeça tem tantas perguntas, vem um só elemento dar-nos a resposta? Normalmente, até já sabemos a resposta e talvez vejamos aquilo que já sabemos? Alguma coisa desconhecida nos está a dar o empurrão que precisamos?

A minha primeira reacção foi rir-me, até porque foram várias coincidências em vários dias seguidos e, por isso, acabei por aceitar que são sugestões que me foram dadas por um amigo oculto. Num dia foi a loja de bairro "Faz de Conta", pela qual já tinha passado incontáveis dias; no outro, foi a passadeira que apareceu pintada quando apenas no dia anterior tinha reparado e pensado em como há tantos meses a mesma ainda não tinha sido pintada; em vários outros dias, todos seguidos, vi as horas sempre às 11:11. Descobri depois o significado do número 1 na numerologia e ainda fiquei mais intrigada, também batia certo com o que se passava na minha vida.

Assim, também tenho descoberto que aprecio os dois lados da vida: o racional e o místico, o que se presta a estas coincidências, a gostar de receber sinais, a fazer associações de ideias aparentemente afastadas, conseguir respostas que se calhar até já temos mas em elementos externos que parecem falar connosco.

Apesar da racionalidade, gosto de pensar que não se tratam de coincidências e isso faz apenas com que me sinta mais reconfortada. Também penso às vezes que pode ter a ver com o facto de ter ascendente em Virgem e Lua em Peixes, este andar sempre um pouco dividida e ter de puxar da racionalidade para não andar sempre nas nuvens.

O meu post é dúbio, não tenho um posição definida em relação a este tema e não acho que seja preciso ter, como aliás em muitas outras questões tenho descoberto que essa abertura permite a entrada de novidades na nossa vida.

segunda-feira, dezembro 18, 2017

Música para segundas-feiras de sol

Nunca se esqueçam de Hold On!

Obsessão pela Björk - e tudo o tempo levou

Sempre fui uma grande fã de Björk, desde tenra idade - mais ou menos desde os 15. Lembro-me perfeitamente da estranheza que a sua música me causou das primeiras vezes que ouvi na RTP (salvo erro no extinto Top+) e depois, aos poucos, fui gostando cada vez mais até chegar ao ponto da obsessão.

Hoje em dia, sou capaz de ter conhecimento de um concerto marcado para o nosso país, como o que vai acontecer em Paredes de Coura em 2018, e não sentir absolutamente nada. Não que tenha deixado de gostar dela, simplesmente há muitos anos que não me interessa o seu caminho, não sinto nada pelo novo som e desde o álbum Volta que não consigo gostar de praticamente nada do que ela faz. Fui ao último concerto, no MEO Sudoeste, em 2008, já não comprei bilhete para o anunciado concerto no Primavera (que depois foi cancelado) e agora também não penso ir. 

Passou o sentimento, passou o tempo, ouço outras coisas, perdi a ligação, não sinto excitação, não fico histérica nem ansiosa. Tenho uma certa pena por isso mas também já passaram mais de 20 anos, vou só esperar voltar a encontrar-me um dia com a minha antiga inspiração/salvação.

domingo, dezembro 17, 2017

Entrevista a Pedro Paixão no Observador

"Às vezes olho para todas as coisas que já fiz e fico impressionado. Não sei, parece que fiz sem dar conta." Pedro Paixão
O escritor é talvez aquele que é sem assim se designar, é o ser-se sem ter de o dizer porque se vive. Cliquem na imagem para aceder à entrevista, vale a pena ler por completo.


domingo, dezembro 10, 2017

Post de opinião

Quando não se tem nada que fazer e alguém, inadvertidamente, nos pede para escrevermos um artigo de opinião num jornal nacional.




quinta-feira, novembro 30, 2017

Mulheres no mundo, mulheres em lugares de destaque

Estava a ler sobre as eleições na Islândia e, apesar dos recentes escândalos que levaram precisamente a novas eleições, não deixa de ser surpreendente que um país pequeno e insular seja tão democrático. 

E com isto quero dizer que, embora existam, tenham existido e vão sempre existir dificuldades e desafios, os seus cidadãos chegam a consensos adultos e ponderados sem serem bafientos. Para disso, as mulheres também têm um papel preponderante e, agora, uma segunda mulher chega a primeira-ministra do país. 

Ainda para mais, uma mulher ambientalista, pacifista e poeta - se fosse aqui, os portugueses das redes sociais já bradariam sobre que faria uma militante da extrema-esquerda feminista num cargo de tamanha responsabilidade e à frente de uma grande coligação de partidos.

Quando se fala em igualdade não se fala em forçosamente colocar pessoas em locais chave da vida pública mas sim que elas cheguem lá naturalmente pelas suas competências. Esta primeira-ministra seria talvez uma mulher que eu gostaria de ver como primeira-ministra no nosso país, não conseguimos lá chegar, daí falar-se tanto sobre desigualdade. 

Acredito que havemos de lá chegar, talvez quando as próprias mulheres deixarem de carregar os homens ao colo até praticamente ao fim da vida possam ter o seu lugar de destaque. É que a independência funciona para ambos os lados e não resulta se um deles estiver gentilmente a ceder espaço e o outro a achar que não o merece.

quarta-feira, novembro 29, 2017

De que memórias falamos?

Já devo ter falado nisto anteriormente mas a minha formação de base é a Arqueologia e, ao longo da polémica sobre o Panteão Nacional e o Websummit tenho pensado muito. E porquê? Porque o meu primeiro instinto foi o de que os monumentos também têm de ter alguma vida dentro e, neste caso, foram respeitados todos os trâmites, não existem estragos e o evento deu uma batelada de dinheiro que - a ser bem utilizado - pode ser utilizado para coisas que realmente têm a ver com a cultura, a História, a conservação, investigação e por aí afora.

Vi alguns comentários nas redes sociais que se insurgiam contra o facto de ali estarem sepultadas renomadas figuras da nossa História mas, ao fim e ao cabo, são seres humanos que já não têm vida, assim como o Panteão. Vejo neste tipo de eventos uma oportunidade (se respeitados os limites da boa conservação do espaço) para avançar numa área que é sempre subfinanciada. Se numa só noite, há a possibilidade de encaixar dinheiros privados na esfera pública sem que tenham existido danos físicos ao espaço, porque não? 

Não querendo desrespeitar o nosso património, choca-me mais que a maioria dos achados arqueológicos, dentro e fora de Lisboa, sejam escavados e respectiva memória mantida através de registo gráfico e memória descritiva (desaparecendo fisicamente do seu local de implantação). Num monumento que demorou tanto tempo a construir que até deu origem a um ditado (quem não se lembra sempre das obras de Santa Engrácia), não vejo porque não possa existir vida se essa vida ainda por cima não se importa de partilhar o espaço com os mortos. Mas esta é só a minha visão das coisas, depois de me ter tentado contrariar por causa da minha formação. Respeito todo o património mas não vejo porque, estando edificado, não possa estar vivo.

Linda Martini - Gravidade

Está marcado para Fevereiro de 2018 o regresso dos portugueses Linda Martini e, para gáudio dos fãs, já roda o single de avanço. Chama-se «Gravidade» e tem asneiras sem censura, uma das razões pelas quais gosto de viver em Portugal e não  nos Estados Unidos, o refrão ficava aqui cheio de buracos.

A realidade corporativa segundo Dilbert