Domingo, Março 11, 2012

É tão difícil saber quando confiar em alguém, mesmo quando confiamos em nós. Toda a gente tem motivos aparentemente altruístas e que, são, ao fim e ao cabo, tão somente meios para atingir fins egoístas. 
Nunca se está acompanhado, na realidade, e é por isso que tenho aprendido a estar sozinha sem me sentir sozinha. Porque, ao fim do dia sei que é só comigo que posso contar.

Domingo, Março 04, 2012

Mais novidades boas: Lazerbeak

Outra das novidades que me cativou bastante foi ter conhecido Lazerbeak através de um videoclip completamente viciante e psicadélico, que ilustra o single Lift Every Voice (extraído do novo álbum Lava Bangers). O americano Aaron Mader, saído do colectivo hip hop Doomtree, mostra aqui a aproximação a mundos musicais híbridos, mostrando criatividade e também, talvez, o reflexo de todo o trabalho executado como produtor.

Novidades do turntablismo

Nem sempre vivo no passado da música, como muita gente me parece sugerir. Leio muitas publicações online e estou sempre actualizada (a maior parte das vezes, só mesmo na área da música). Hoje chamou-me a atenção os franceses C2C, reis do turntablismo. Para além disso, têm em FUYA um grande clip, que recomendo.

Terça-feira, Fevereiro 21, 2012

Portugal e a Troika vistos pelos espanhóis no El Pais

Simultaneamente triste e derrotista, a peça do El Pais acerca de Portugal sob influência das medidas da Troika está altamente bem escrita e realista. A ler aqui.

Nostalghia, Cool for Chaos

Sempre em busca de novos sons mas que façam sentido na minha vida, acabei por descobrir os norte-americanos Nostalghia. A vocalista é uma mescla estranha de povos e resulta numa espécie de personagem, actriz, cantora, estranha, esguia, meio cigana, meio bruxa. A mistura apaixonou-me e aqui fica o vídeo, igualmente bizarro, de Cool for Chaos.

Quando se cita alguém, seja aqui ou qualquer outro lado, convém (digo eu) colocar, no fim, a autoria do excerto. Aflige-me que tanta coisa passe pela Internet como se fosse de quem está a escrever quando, na verdade, não é. Respeito pela produção intelectual procura-se.

A confiança nos outros é o sinal mais certo de que estamos confiantes de nós.

Terça-feira, Janeiro 24, 2012

O Frágil e uma Lisboa com alma

A história do Frágil acompanha a história da melhor noite lisboeta, hoje decadente e claramente sem o espírito dos anos 80 e 90. Dantes as pessoas ainda achavam que valia a pena lutar por utopias e sonhos, é precisamente isso que transpira do artigo que descreve a Lisboa de outros tempos, aqui.

Sun Glitters

Houve tempo (de sobra, diga-se de passagem) para descobrir, completamente por acaso, o projecto de um português a viver no Luxemburgo. Victor Ferreira dá forma a uma sonoridade simplesmente maravilhosa e que dá pelo nome de Sun Glitters. Aconselho a ouvirem mais coisas, todas tão boas como esta.

Grimes na 4AD

A adorada Claire Boucher, personificada por The Grimes, assinou contracto com a lendária 4AD. Assim, o próximo álbum Visions terá lançamento mundial pela 4AD e, no Canadá, pela editora que acolhe Grimes no seu país natal, a Arbutus. 
Em 2012, Grimes vai andar em digressão mas faz uma perninha em Espanha sem vir a Portugal (algo que muito me entristece). 
Ficamos a aguardar pelo 21 de Fevereiro, data de quando é lançado o novo álbum. O tema abaixo é o segundo single extraído de Visions.




Ideias soltas

Tenho andado mais caladinha aqui simplesmente porque as palavras me deixaram grandemente de fazer sentido. Passo grande parte do tempo a observar e interiorizar. Nos entretantos, comprei um bilhetinho para a Feist e estou a pensar visitar o Porto para ir ver a grande St. Vincent. 

Mais para adiante, também não gostava de perder Mazzy Star e, se a conjuntura ajudar, fazer uma viagem. Tenho pensado em Paris mas não ponho de parte uma voltinha pela Alemanha. A vontade existe mas também é preciso haver algum realismo. Manter as ideias faz falta e vai alimentando um espírito que se empobrece, apesar de o Umberto Eco lhe dar grande substância.

Segunda-feira, Janeiro 23, 2012

arder daquele fogo que queima
com chama que se veja
há muito que me sobeja
a vontade 
e escasseia o objecto

Segunda-feira, Janeiro 02, 2012

Doris Salcedo no CAM

Há já algum tempo que tinha intenção de ir ver a exposição da Doris Salcedo no CAM. Posso dizer que não sabia absolutamente nada sobre ela nem sobre o foco da exposição, excepto o que o segurança do CAM me tinha dito, por volta de Outubro, que ia demorar porque havia umas coisas que ainda tinham de crescer. 

Quando agora decidi ir ver aquela que acabaria por se tornar uma das melhores exposições do ano, também não quis saber nada e simplesmente entrei. Aquilo que senti, de facto, comprovou a intenção da irreverente artista colombiana e fiquei apaixonada.

Não tirei fotografias, não fiz vídeo, apenas entrei e deambulei pelo labirinto de mesas mudas e senti o cheiro do húmus e da madeira. A sensação de ter entrado num túmulo foi mais forte, a solenidade, a vida que se desprende dos objectos inanimados. Dois mundos, opostos, com vida pelo meio. O húmus que separa o fim e o princípio. A ignorância nem sempre é uma desvantagem e, no caso desta genialíssima instalação, é um grande bónus.

Sábado, Dezembro 31, 2011

O mais triste efeito de 2011 foi eu ter perdido a poesia.