Domingo, Maio 19, 2013

O Festival é um bom festival

Hoje foi dia de Festival Eurovisão da Canção, evento que sempre acompanhei, muito por influência da minha mãe. O Festival do antigamente tinha aquela mística, até porque não havia assim tanta coisa importante na televisão. 

Estive novamente a vê-lo, apesar de Portugal não participar, por culpa de um grupo de arqueólogos que decidiu criar um fórum de discussão sobre o festival pelas bandas do Facebook - improvável mas real. 

Entretanto, a BBC News fez um especial muito resumidinho acerca da malta que ganhou edições passadas e   dando conta do seu percurso.
Na edição deste ano, posso dizer que a canção da França arrebatou o meu coração. Segue abaixo o vídeo.
O que me assusta muitas vezes é a clareza que transporto quando olho. Não sou ingénua nem parva, sinto-me límpida. Também sinto muitas vezes que o olhar limpo que coloco sobre outros olhares se incomoda, não se assusta, porque detecta pequenas falsidades, pequenos mecanismos que denunciam almas sujas.

Incomodam-me as almas sujas e parece-me que elas também ficam incomodadas porque sabem que são facilmente topáveis.
Tirando isso, tudo como dantes.
Estou longe há tanto tempo, apartada, dispersa, ausente. Não do que me rodeia, não me mim, que de mim me aproximei com maior realidade que outrora. Estou longe daquilo que não me faz falta, a escolher, a separar, cuidadosamente longe daquilo que não interessa, do que suga energia, do que só enche o espaço.
Estou longe mas nunca estive tão perto da oportunidade de só ter na mão aquilo de que necessito e nada mais que isso.

Quarta-feira, Maio 15, 2013

Terça-feira, Maio 14, 2013

aventuras em low fi com os cotonetes Pinoca


Da estabilidade

Que mundo em constante rodopio este, talvez todos os sintamos, em maior ou menor escala. Não deixa de ser curioso que mesmo assim procuremos todos um pouco de estabilidade, andamos à procura de manter as coisas como dantes e parece-me que elas já não vão voltar a ser como dantes.

Nos dias que correm, já ultrapassei a barreira dos 30 e se me sentar a pensar na realidade, apetece-me evadir-me para o mundo do sonho para todo o sempre. Tenho 32 anos anos, tomei um pequeno desvio da minha carreira por razões várias, não tenho um rumo completamente fixo no que a isso diz respeito.

Dizem-me que sou velha para mudar, que é até aos 30 que se decide tudo, que nos estabilizamos e depois crescemos, que se não for até essa altura está tudo perdido. Neste momento, sinto-me um pouco perdida com esse pensamento porque não faço parte desse grupo de pessoas estabelecidas e cada dia que passa a idade da reforma sobe mais um ano, mais uns meses. Que é que é suposto a gente fazer entre os 30 e os 65 que seja tão estável neste mundo em mudanças? É um limbo demasiado grande mas se calhar sou só eu que sou meio avariada.

Segunda-feira, Maio 13, 2013

Tirado daqui.
o Juventude Inquieta é um filme do catano. e tem o Tom Waits a fazer de dono de café que masca pastilha ruidosamente. precioso.

Ao grego o que é do grego

A crise trouxe urgência em resolver problemas financeiros mas, segundo o exemplo grego, alguém se esqueceu que quando existem hábitos enraizados, as soluções demoram mais do que aquilo que os governos desejam. A grande questão grega é a evasão fiscal e o país debate-se agora com conseguir a mudança de mentalidades, que demorará provavelmente umas boas décadas. Parece que, no meio de toda a urgência de fazer crescer as receitas fiscais no que toca a dívidas, não tiveram em conta variantes que fazem a diferença e quem conhece os gregos sabe que é malta com muito pêlo na venta.

Gota

Aprender a humildade de que somos só mais uma pessoa entre milhões mas ao contrário da gota no oceano, um ser pode agitar multidões. Pena que não se acredite tanto nisso como se deveria.

Terça-feira, Abril 30, 2013

Sangue, suor e lágrimas

A ideia da criminalização dos salários em atraso proposta pelo presidente da ACT pode ser bastante atraente mas, na prática, em que medida é que isso vai alterar o estado de coisas?

E deixo outra questão, relativamente à redução dos salários: que se faz quando essa diminuição é real mas feita por meio de redução de subsídios vários, sem que se mexa no salário base? 

Se vamos trabalhar para que tenhamos melhores condições de trabalho (todos nós), a reforma deveria ser estrutural (exactamente, como a do Estado), passando por uma grande reforma de mentalidades e políticas de trabalho. As empresas de trabalho temporário, como quase todos sabemos, vieram trazer inúmeras vantagens para as chamadas empresas clientes mas as desvantagens para quem trabalha são bastante bem conhecidas. E, sinceramente, não me parece que a criminalização seja possível ou desejável, talvez por achar que a prevenção é o melhor remédio.

Darfur

E porque nunca nos devemos esquecer que no Oeste do Sudão grassa uma guerra interminável, há cerca de 14 anos. Porque os Homens teimam em não se entender, não nos podemos esquecer do Darfur.


Não curto muito da tua cena

A política é um jogo de forças, interesses e - como está muito na moda agora dizer - consensos. Ao ver a capa genial do Le Figaro, fiquei também com a sensação de que é uma questão de personalidade, se a malta é adaptável ou não, se curte da cena dos tipos dos outros países. 

As grandes cartadas da História têm a ver com personalidade e, com isto, não analiso o azedume das relações franco-alemãs por não ter francamente ferramentas para tal mas o simples facto de sermos todos pessoas, no fim de contas.


A justiça é cega e vê, não sei porquê

"(...) há apenas uma eventualidade remota de a generalidade das pessoas desconfiar da sua imparcialidade." 

Podia ser uma notícia do Inimigo Público mas é mesmo do Público e retrata somente mais um caso bizarro da justiça portuguesa e, mais, de como os portugueses apreciam a amizade.

Nota: para o caso de haver dúvidas quanto ao meu tom (que pode parecer dúbio), não estou a ser irónica quanto ao teor e qualidade da notícia do jornal mas apenas em relação ao caso.


(Des)compensações monetárias - ou quanto vale uma vida humana?

Anteriormente, falei em poucas palavras sobre o que aconteceu no Bangladesh e hoje, claro, volto a ler novas notícias sobre o trágico acontecimento. A Primark anunciou que irá apoiar financeiramente as vítimas e familiares de vítimas (nomeadamente, as crianças que ficaram sem os pais), dado ser uma das beneficiárias do trabalho que ali tinha lugar. Instou ainda a que as outras empresas que ocupavam o mesmo espaço façam o mesmo.

A atitude faz sentido, obviamente, mas traz-me mais inquietação ao espírito. Primeiro, esta ideia de que as vidas humanas perdidas podem ser compradas por compensações económicas e, sobretudo, compensações que até nem saem muito caras, tendo em conta os lucros de empresas como a Primark e o facto de estarmos a falar do Bangladesh e o valor do dinheiro não ser o mesmo que, por exemplo, uma Alemanha.

Segundo, estas empresas não poderiam estar ignorantes daquilo que ali se passava e, portanto, deveriam ser também acusadas neste processo. Se o capital tem tantos tentáculos e tanta perspicácia para atrair mais e mais lucro, certamente também saberá as condições em que o adquire. Neste, como noutros casos, à custa de vidas humanas, de gente que trabalha de sol a sol por uns trocos para depois os grandes grupos empresariais gerarem lucros astronómicos.

Sei que pareço um bocadinho andar na caça às bruxas mas este é um caminho em que já não deveríamos seguir.

Pequenas conquistas

Hoje, no quadro de honra do trabalho (onde, aliás, nunca estive), chamou-me a atenção a frase mote para lá se estar incluído. Dizia, pelo canto inferior esquerdo, Tu és o que conquistas, enquanto passava por ele pela enésima vez. Mas desta vez, aquela frase pareceu-me estranha porque a ideia de conquista está, para mim, associada a chegar, ver e vencer, em termos de ser-se o melhor e aquele que coloca a estaca primeiro (a bem ou a mal). 
Soar-me-ia infinitamente melhor Tu és aquilo que alcanças mas isso seria, em hipótese, muito frouxo. Aquilo que alcançamos é relativo e tem a ver com as conquistas pessoais de cada um de nós, o que não significa necessariamente que somos o melhor entre os melhores, só que chegámos a um ponto de viragem, de mudança, até de ganhar uma nova visão, de nos termos superado nalgum ponto específico.

Todos os dias me parece que o marketing e a realidade de uma empresa se construiria de uma forma muito mais sólida se tivesse em conta essas pequenas conquistas que são, na maior parte dos casos, maiores que uma conquista daquelas à antiga, à império, à colonizador.

Não quero com isto desculpar o facto de nunca ter tentado sequer alcançar essa visão de conquista e, com isso, ser até improdutiva no meu trabalho mas no meu léxico de vida sempre tive mais em conta que somos indivíduos e não células em folhas de Excel. Que me desculpe a economia, o neoliberalismo, o capitalismo e praticamente todos esses ismos de cujos princípios não comungo.