domingo, julho 17, 2016

Ausência inconsciente

O tempo passa depressa e nem me tinha apercebido de que desde a última vez que aqui escrevi já decorreram dois meses, praticamente.

Acontece que, entretanto, consegui finalmente começar a trabalhar e a adaptação está em progresso. Nestes meses, tenho ouvido mais música nova e lido menos, a paciência não é tanta - tenho de confessar - e o A de Açor continua a acompanhar-me. O Don Delillo e o seu Submundo está a descansar agora, leio muito esporadicamente, gosto dele mas é um livro difícil para mim.

Apesar de demorar um pouco mais a terminar as leituras, posso dizer que há muito tempo que um livro não falava tanto comigo, ao ponto de me chegar a emocionar. Não podia estar mais bem acompanhada e quando o acabar vou ficar com saudades, outra coisa que também não me acontecia há bastante tempo, apesar de ter lido coisas muito boas nos últimos tempos.

Assim, para já, deixo aqui uma das novidades musicais que mais me impressionou - trata-se de uma banda norte-americana fresquinha chamada Seratones e têm um poder musical daqueles que enche a alma.

quarta-feira, maio 04, 2016

O hype de Radiohead

Apesar de não ser das maiores fãs de Radiohead, isto é muito bom. Pensava que ia adormecer a ouvir o novo single sensação, afinal não aconteceu. Agora vamos é andar muito tempo a falar e ouvir falar deles, como é natural sempre que sai um novo trabalho de Radiohead.

Considerações sobre o valor pessoal intríseco

Já não trabalho há quase 2 anos e neste momento em que escrevo tenho precisamente 35 anos (já fiz há mais tempo mas é só para assinalar). Ou seja, estou mais menos a metade da vida, se tudo correr bem, e chegada a este ponto parece que não tenho nenhuma utilidade para o mercado de trabalho. Há dias em que penso: "se isto está assim agora com esta idade, imagino quando for mais velha, nunca mais faço nada".

Entre os cursos de Língua Gestual e Marketing Digital, a mais as pequenas incursões no empreendedorismo (em todos aprendi alguma coisa nova e isso continua a ser das coisas que mais adoro: aprender), mantenho-me à tona de água sobrevivendo apenas da crença de que o valor intrínseco de alguém não se mede pela utilidade em termos do trabalho e da produtividade. Eu sou eu independentemente do que se tem passado. 

Isto não é um lamento, é uma constatação da minha própria vida, de uma amostra dela, como se se tratasse de um livro ou um filme, como espectadora. Olho e é isto que vejo, em certos dias não vejo nada e não sei muito bem quem sou, digo e repito que sou a mesma de sempre mas essa pessoa não existe há muito tempo. Sinto a vida de outra maneira, não ouço música do mesmo modo, tento não falar tanto para não me comprometer, ouço muitas vezes um advogado dentro da minha cabeça que me impede de dizer certas coisas.

Por agora, é só isto. Estou a ouvir novamente música como dantes, a horas tardias, agora com o demónio do Spotify, gostava mais quando o Last Fm tinha rádio.

quarta-feira, abril 27, 2016

Da fotografia e da Anti-Fotografia

Para quem tem andado aí desse lado, já deve certamente ter reparado que a fotografia é um dos meus outros gostos. Apesar de tudo, gosto sempre de vincar que sou completamente amadora, tiro fotografias porque sou amante da fotografia, só isso. Assim, acabei por decidir compilar aquelas imagens de que mais gosto, com que tenho maior ligação emocional ou simplesmente porque naquele dia quero publicar aquela imagem, porque está sol ou porque está sol.

A compilação das imagens fi-la através de uma página de Facebook que vos convido a visitar e, se gostarem, a passarem por lá periodicamente. Já sabem que não sou apologista de prisões, por isso façam tudo aquilo que o vosso coração mandar.

Aqui fica o link para a página que ficou com o título de Anti-Fotografia como forma de protesto pacífico e silencioso face aos inúmeros "fotógrafos" que pululam pelas redes sociais e que, na maior dos casos, são apenas amantes da fotografia. E porque digo isto? Não sou, de todo, invejosa e não quero o mal de ninguém mas poucas pessoas existem que tirem, de facto, fotografias que nos dizem alguma coisa. Uma fotografia é um olhar particular de alguém, uma cara que alguém viu, um enquadramento, uma luz, uma poeira e que caracteriza a sensibilidade e o olhar daquela pessoa em particular. Não é a máquina que tira a fotografia e não há nada que substitua a pessoa ou que a faça ser fotógrafa - mesmo que tenha um maquinão.

Poucos podem dizer que são fotógrafos mas arrogam-se desse título, têm esse direito e essa liberdade, claro, e, por isso, arroguei-me a liberdade de mostrar a minha posição através do título da página que criei. Faço outra ressalva: enganei-me genuinamente ao criar o tipo de página e é por isso que sou uma figura pública. 

Andrew Bird - Roma Fade

Com a chegada de uma nova inspiração e uma nova vida interior, chegam novas músicas. A que mais recentemente me prendeu é a Roma Fade, de Andrew Bird, retirada do último álbum do cantor Are You Serious, editado no passado dias 1 de Abril - que aconselho por inteiro, é muito bom. É mesmo verdade, ok, não foi mentira do dia 1.

Hibernação Intelectual

Desde que deixei de aqui escrever, pode dizer-se que estive em hibernação intelectual. Nunca imaginei que pudesse acontecer uma época destas, em que não tivesse mais forças nem que fosse para uma linha. 

Desde que me conheço que escrever é tão natural como respirar - e aqui não interessa se é bom ou mau, isso depende dos gostos de quem lê, mas apenas a expressão das profundezas sob a forma escrita. Durante todo este tempo que me pareceu a eternidade, só fiz listas de compras e em modo muito telegráfico.

A partir do momento em que acontece alguma coisa que julgávamos verdadeiramente impossível, podemos equacionar que há muitos impossíveis que podem vir a ter lugar - bons ou maus, também não interessa para agora. 


sexta-feira, abril 22, 2016

Prince, as homenagens e as redes sociais

Com o advento das redes sociais e, sobretudo, do Facebook, de cada vez que morre uma estrela, separam-se as águas literalmente ao meio. Há sempre uma quantidade de imensa de gente que presta homenagem e uma outra quantidade de gente que fica farta de ver tantas homenagens.

Acontece sempre que alguém é suficientemente importante para que isso aconteça, aconteceu com o David Bowie, claro que teria de acontecer com o Prince.

Quem detesta as homenagens (e eu não sou muito muito fã delas), deveria perceber que os seres humanos se manifestam e expressam emoções. Se não for nas redes sociais ou no blogues, será ao vivo, a falar, a conversar. Quem critica as homenagens, depois se calhar até gosta de colocar informações ad nauseam sobre o Benfica ou o Sporting ou as quintas das celebridades. Todos temos a nossa cena, basta que nos apercebamos disso e calemos o bico.

Com toda esta conversa, fica aqui a minha declaração acerca do Prince: nunca fui uma louca por ele mas fui vê-lo ao Super Bock Super Rock em 2010 porque há pessoas que a gente tem de ver ao vivo pelo menos uma vez na vida (se tivermos tempo, dinheiro e saúde para isso). Foi, de facto, um concerto maravilhoso, o senhor foi, era e é um génio, mesmo estando agora morto. Tocava todos e mais alguns instrumentos mas sobretudo a guitarra com uma mestria assombrosa, era produtor, controlador, picuinhas mas genial. Acho que devemos homenagear os génios e a minha homenagem aqui fica associada também ao momento em que, no Meco, em 2010, com as famosas poeiras, o calor e uma fraqueza que me deu, acabei por quase desmaiar mesmo no princípio do Purple Rain, só tive tempo de ver alguns efeitos e pimbas, de joelhos na terra.

quarta-feira, abril 20, 2016

De volta

Olá a todos! 

Só vos queria dizer que aqui a chafarica vai voltar a funcionar, simplesmente porque me apeteceu voltar a escrever. Grande abraço aos gatos pingados que vão ler isto e não se ofendam por vos chamar gatos pingados :D

quarta-feira, maio 06, 2015

O fim

Passados muitos anos de ter o blogue activo e de ir escrevendo umas coisas por aqui com maior ou menor intensidade, ocorreu-me que eu e ele deixámos de ter uma relação íntima. Mudei demasiado para o manter e deixou de me fazer sentido escrever aqui. Escrever seja de que maneira for. Assim, termina aqui o percurso de todo este tempo. Para quem quer que ainda estivesse por aí, encontramo-nos talvez um dia num outro espaço, que não tenho definido.

domingo, abril 19, 2015

Razões que a própria razão desconhece

Facto: quando temos mais desculpas para não prosseguir um determinado caminho, estamos apenas a dizer que não temos interesse em segui-lo. Quando as coisas são para fazer, a gente sabe perfeitamente que as faz de imediato, sem pensar duas vezes, tudo o que arrastamos por tempo indefinido ou para o que inventamos um rol de contras infindável... bem, já se sabe!